“A orquestra dos ZUMBIDOS”

                O zumbido é definido como uma sensação de som percebido como sendo de origem dos ouvidos ou da cabeça, ou seja, não proveniente do ambiente. Trata-se não de uma doença, mas de um sintoma que pode chamar atenção para muitas patologias. E, acredite: se não lhe soam familiares corais de cigarras, serenatas de apitos ou fanfarras de refrigeradores nas orelhas – talvez, infelizmente, seja uma questão de tempo.

Dados de literatura especializada pintam o seguinte painel: cerca de 94% das pessoas, em algum momento de sua vida, notarão a presença de algum tipo de zumbido. Já quando caracterizado como queixa, por exemplo motivando uma consulta médica, acomete entre 13 a 15% da população. E, neste universo, aproximadamente 2% o perceberá como um grande incômodo, constituindo importante limitador da qualidade de vida e podendo, inclusive, agravar enfermidades.

                Existem diversas classificações para o zumbido, na tentativa de melhor compreendê-lo. Entretanto consideramos apenas dois mecanismos geradores: gênese no sistema para-auditivo ou no auditivo. O primeiro tipo, raro, é aquele secundário a alterações musculares e/ou vasculares. O segundo, maciça maioria dos casos, surge de distúrbios nos ouvidos e vias auditivas.

Dentre causas preponderantes e fatores coadjuvantes temos, como protagonistas, as perdas auditivas. Jovens e idosos com algum grau de surdez (ainda que não valorizado), exposições a ruídos intensos por tempo prolongado e uso de medicações tóxicas aos órgãos da audição são situações que favorecem o aparecimento de tinidos. Além disso, doenças  como diabetes, hipertensão arterial, alterações de lipídeos, de tireóide, transtornos psiquiátricos, tumores, entre outros, podem interferir na piora do quadro.

A investigação deve ser iniciada por um especialista. A história da moléstia, verificando o tipo do zumbido, inquirindo sobre tonturas, etc, além de exame físico completo, com especial atenção às orelhas, são muito importantes. Testes de audição também fazem parte do protocolo inicial. Podemos também lançar mão de outros testes mais específicos para pesquisar comorbidades, como sorologias e exames de imagem.
Em virtude da vasta gama de elementos que se inter-relacionam, o tratamento tem de ser individualizado. A premissa básica é tratar as causas para minimizar ou extinguir o problema, visando o bem estar do paciente como um todo.

As vias auditivas humanas são como um termômetro do corpo. Um singelo barulho nos ouvidos que não cessa pode ser um indício de que algo não vai bem. Uma avaliação precoce e terapêutica adequada podem nos poupar de uma indesejada sinfonia fantasma.

Centro Otorrinolaringológico Dourados LTDA.